terça-feira, setembro 20, 2005

We love Brussels

"Ai vocês vão casar para Bruxelas? Acho bem, acho muito bem. Lá de certeza que encontram um marido…A Marina, aquela minha colega de curso, está lá a viver e diz que não para de ser assediada por todo o lado! Não façam essas caras, é verdade! Sabem que Bruxelas está infestada de muçulmanos e eles podem ter umas sete ou oito mulheres, por isso passam o dia a pedir gente em casamento no meio da rua…Um descaramento!” disse um Bernardo sarcástico.

segunda-feira, setembro 19, 2005

Upper East

Numa dessas tarde, duas miúdas encontravam-se num restaurante do Upper East Side Lisboeta para provar uma nova ementa de peixe norueguês e socializar um bocadinho. Inevitavelmente a conversa foi parar a um futuro próximo que todos esperamos mas poucos admitem, e três garfadas depois elas já só falavam nos hipotéticos maridos, nas pressupostas crianças e nas inevitáveis festas de divórcio.
“Eu acho que ser divorciada é muito mais giro que ser solteira” disse Lu com um copo de chá gelado na mão enquanto fazia um largo gesto de tchim-tchim.
“Eu penso que estás a exagerar. Ser solteira até aos trinta e tais é perfeitamente aceitável e divertido…” concluiu Bô com um sorriso.
“Claro, claro e depois quando te fartares de tanto divertimento podes sempre pegar numa mala e ir até Bruxelas”
“Bruxelas?” perguntou Bô de sobrancelha levantada.
“Sim, Bruxelas! Existem lá imensos políticos interessantes…já pensaste nisso? Claro que o facto de na altura teres 35 anos também ajuda, eles não podem casar com raparigas muito mais novas...” acrescentou Lu enquanto pousava o copo na mesa.
Bô riu alto e concluiu “Somos da geração Sexo e a Cidade, está visto! Abaixo as Desperate Housewives!”.


sexta-feira, setembro 16, 2005

o regresso

Andava pela casa a dançar ao som de musica tradicional chinesa, com o cabelo amarrado e empastado de mascara hidratante, vestida apenas com a minha saia branca rodada e a lingerie vermelha La Perla que os meus amigos me deram no Natal passado, quando tocou a campainha. Procurei uma camisola na desarrumação do quarto e fui abrir. Eras tu.

Sentamo-nos no sofá da sala a conversar nada de importante. Apercebo-me que tive saudades do teu modo coquete, do teu sarcasmo arrogante, de ti.

A última vez que nos vimos foi há pelo menos cinco meses, na noite em que nos beijamos. Começaste a não me atender as chamadas, não me respondeste às mensagens. Percebi que te querias distanciar e não quis forçar a situação, não insisti.

- Peço-te desculpa, mas tenho que ir lavar o cabelo. Já deves ter reparado que tenho uma máscara aplicada. Não demoro, é só passar por água.

Na casa de banho, enquanto a água morna escorre pelo meu cabelo, revejo aquela noite. Deitadas a conversar, tu a saberes o que eu sentia por ti, eu expectante por uma reacção que chegou naquele roçar de lábios e de língua. E depois o silêncio.

Sento-me de novo ao teu lado no sofá ainda a borrifar o cabelo com o condicionador. Contas-me uma história, passada no hospital onde andas a trabalhar, de um doente que tinha citus inversus. Eu vou-me penteando enquanto te ouço.
- O teu cabelo está tão comprido! Ultrapassa o teu umbigo. – Diz, e segura-me a ponta de um caracol.
- Só se nota assim, molhado. Ajudas-me a pentear?
Estamos caladas enquanto me escovas o cabelo. Não está embaraçado, mas continuas a escovar-mo.
- Está macio.
- É dos produtos que lhe ponho. Não sabes o trabalho que me dá.
E calamo-nos de novo. O silêncio torna-se desconfortável ao ponto de decidires começar a falar a sério.
- Senti a tua falta. Não podemos voltar a ser como antes?