quinta-feira, junho 02, 2005

A Beatriz Cunha entrou de rompante pelo meu apartamento, atirou a mala sobre o sofá, sentou-se na poltrona junto ao janelão da varanda e perguntou:
- Queres um cigarro?
- Não…
- Queres uma pastilha de menta?
- Não querida, quero antes saber o que estás tu aqui a fazer?
- Olha lá sua cabra porque é que andas a comer o meu gajo?
Estarreci de terror, olhei-a com visível surpresa, estiquei um pote que estava ali prostrado sobre a mesa de centro e perguntei:
- Queres um rebuçado?
Ela olhou-me com uns olhos hediondos, levantou-se de um pulo, estacou o corpo (em poses desengonçadas) na minha frente e atirou uma rajada de palavrões obscenos que nem me atrevo a transcrever. Depois, pegou na mala de cor de beringela, tirou de lá de dentro um porta-moedas minúsculo, mostrou-me uma fotografia do tipo que causara toda aquela cena e anunciou desesperada:
- Nós íamos casar! Nós íamos casar! E agora ele chega a casa com aquela pasta atafulhada de trabalho, diz que não tem mais paciência para mim e…que só te vê a TI caralho, a TI, como escape para os dias caóticos.
- Oh Bia eu não sabia que vocês estavam noivos…quem é que fica noivo na nossa idade, tu também…
- Tu és uma puta de merda!
- E tu és uma cornuda idiota, agora sai do meu apartamento antes que te atire com a merda do pote ao focinho!!!! E sim ele fode bem…e sim eu até gosto dele…e ah! Claro! Ele também me disse que estava farto de ti e dos teus cigarros light! Desaparece!


Saí até à varanda, olhei as nuvens carregadas de tempestades e tragédias e murmurei: “Oh God, make me understand!”

Christopher Baker