Idiota aqui, ali e acolá...
- Oh amor que horas são?
- Tarde! Muito tarde! Queres lanchar?
- Não, por favor, só quero ir para minha casa, enroscar-me sobre o sofá da sala e beber chá de menta até ao fim do dia. Estou tão cansada.
E estava. Sentia a cabeça latejar sob a luz forte do fim de tarde. Sentia o corpo implorar por descanso e sentia sobretudo uma total alienação quanto ao todo que havia provocado tal estado de decadência. Por isso, enquanto puxava de um copo, olhei para ele com curiosidade e perguntei:
- Importaste de me explicar o que é que aconteceu na noite passada? É que eu recuso-me a acreditar nesta miscelânea de memorias…
Eles sorriu, atirou a franja para o lado, chegou-se mais perto de mim e disse:
- Foi muito mau…Bem… A Beatriz (a tal) encontrou-nos no bar na marginal, sentou-se numa cadeira ao meu lado e perguntou descarada se tu também me roubavas os namorados! O Rodrigo da administração, aquele que supostamente se andava a atirar a ti, arregalou os olhos, bebeu um trago do seu straight e levantou-se de um pulo dizendo que ia encontrar uns amigos quaisquer. Tu passaste-te da cabeça, correste atrás dele, ficaste na porta do bar a gritar-lhe enquanto a Beatriz me massacrou em dois minutos de paleio tipo: “Oh Bernardinho, ainda não saíste do armário? Desculpa eu não sabia! J-U-R-O que não sabia! E aquele gajo, coitado, ficou tão assustado com as tuas tendências…”. Depois ela desapareceu com aquela horrenda pochette roxa debaixo do braço e tu voltaste para a bebedeira desgovernada!
- Podia ter sido pior! – disse eu com os olhos pregados no copo de água – Podia ter tido alguma coisa com aquele preconceituoso de merda!

Patric Shaw





