segunda-feira, maio 16, 2005

o centro hípico

Sentada nas bancadas verdes com vista para o campo arenoso dos saltos de obstáculos, observo as árvores que estão para lá dos pátios. São choupos de ramagem dançante, nuvens verdes a nevar algodão branco e pegajoso que voa no vento e se aloja no chão, nos telhados, nos tejadilhos e limpa pára-brisas dos carros. É bonito mas pega-se à roupa, ao cabelo, às fossas nasais, à laringe e à traqueia e faz-nos tossir e espirrar contínua e cansativamente. Na base das árvores sobressai o brilho do Sol no asfalto por onde ele vai passar para vir ter comigo.
O barulho dos fados de Coimbra é cortado por uma voz roufenha que anuncia o início da prova 1.00m. Um cavalo lusitano todo malhado entra na pista, com um miúdo vestido a rigor para uma prova federada. Este desporto é muito parado, muito calmo, mas é emotivo. Eu gosto, e estar concentrada a assistir a algo que gosto é uma forma de parar de pensar por um bocado e de me abstrair do resto da minha vida, bastante agitada e frenética ultimamente. É um refúgio que hoje vai ser invadido e ser posto em causa.
Não vejo o António há dois meses. É de outra cidade e só nos encontramos nas pausas dos compromissos profissionais que nos levam à cidade do outro. Tem a tarde livre e ligou-me para nos encontrarmos. Liga-me agora dizer que chegou. Não o vi passar na estrada, e ao chegar à entrada do centro hípico e ao ver o brinquedo novo dele percebo porquê.
Damos uma volta, mostro-lhe o sítio e paramos nas bancadas do picadeiro coberto a ver uma aula.
- É desproporcional. É engraçado que este mundo não me diz nada, mas devem haver pessoas a quem este mundo diz bastante e eu às vezes penso que 10 milhões é tão pouca gente, mas não! Cada pessoa é um mundo.
Adoro este homem. Gosto de ser amiga dele, além da relação carnal que há tanto nos une. Como diz a Bo:”a Marilyn disse que os homens não vão embora quando têm aquilo que querem, os homens quanto mais têm, mais querem.” Eu acho que…