segunda-feira, abril 18, 2005

Um dia no Porto, sempre no Porto…

É esta paixão desmedida pela cidade que me impele a visitá-la periodicamente, sem olhar a gastos cansaço ou compromissos. Portanto, e por causa das conversas que ficaram por esclarecer, pelo sítios que ficaram por visitar, neste fim-de-semana acabado resolvi voltar ao Porto.
Encontrei o Miguel e o Tá na esplanada junto ás aguas frias do mar do norte, saudei-os com um sonoro “Olá” e sentei-me para um agradável chá e uma conversa que se havia, naturalmente, de tornar bastante longa.
Falámos das minhas relações movediças, falámos do seu romances estável e duradouro, falámos na depressão da Joana Vasco, falámos inclusive dos tempos que correm e das notícias que rolam nos tablóides, onde talvez a mais popular de todas seja a escolha do Vaticano sobre o novo Papa.
Esse Papa que terá de arcar nas costas a evolução das mentalidades e a desmistificação de uma sexualidade cada vez mais libertina, cada vez mais perigosa, onde um preservativo não é contra-natura, mas sim a favor de uma humanidade sã…Sim, porque se for necessário eu volto a bater os punhos na mesa (ambos), volto a sublinhar as lutas que a Mulher tem ganho ao longo destes anos perante o estado e a sociedade, mas que continuam irreconhecíveis aos olhos de uma instituição conservadora e fechada no seu machismo intolerante, quer para com esta emancipação notada de cada mulher, quer para com a relação “vergonhosa” do Miguel e do Tá, que cometeram apenas o sacrilégio de se amarem mutuamente e de partilharem uma vida comum há mais de quatro anos. Eles, homossexuais assumidos perante colegas e família, afirmam-se como católicos baptizados e crentes, mas não deixam de sentir dentro de si uma divisão perante esta religião que querem professar, mas onde nem sequer são reconhecidos…violando portanto o princípio fundamental do evangelho: “todo o homem é filho de Deus”.

Oh God, make me understand!