domingo, fevereiro 13, 2005

Ligas, rendas, volúpia, glamour…

Se há uns anos atrás me tivessem pedido para caracterizar o meu homem ideal tê-lo-ia descrito: intelecto, conhecimento, cavalheirismo. Sinto-me humilde perante ele.
Fui a sua casa para ser fotografada – mera desculpa, ambos o sabemos. “Deixa fluir, deixa-me partilhar contigo a minha loucura.” Tinha-lhe dito.
Sentados no sofá começou a fixar a imagem de partes de mim enquanto me ia despindo. Devo confessar que me senti nua, talvez por o estar, talvez porque todo o meu ser estava ali, não só o meu corpo: ele conhece-me como poucas pessoas. Já me tinha sentido nua perante ele, quando disse que era apenas um brinquedo novo para mim. A sua reticência no envolvimento físico levava-me a encará-lo como um capricho, um desafio. O meu brinquedo, o meu agora amigo, é perspicaz. “Se ele não tomar a iniciativa, também não o farei”, pensei.
A música que escolheu e a volúpia que sinto sempre que nos tocamos enchem-me o peito.
“Beija-me.”, diz. Sorrio e liberto o desejo tocando o seu corpo, puxando-o para mim, sentindo-o tocar-me, beijar-me, lamber-me. Inspiro de prazer quando me penetra. Coloca a voz e pergunta “Então e do que é que queres falar?” “ Define futilidades.” “Foi onde perdemos o tempo até agora.”
“Vamos para a mesa, uma refeição como tu tem que ser na mesa!”, quase coro. Ligas, rendas, volúpia, glamour…. Até o sangue e o prazer se espalharem a correr pelas veias acelerados e exultantes, e no entanto, sem sequer roçar a animalidade!
Conversamos, dançamos, tiramos mais fotografias como fazemos sempre, mas desta vez saciados e mais verdadeiros.
É assim a minha loucura: sensualidade, prazer. Como se me rodeasse uma aura cor-de-rosa com laivos de vermelho, chamas ardentes de necessidade carnal. Enfim, amoralidade, ou uma moralidade complexa, paradoxal. Sou libertina, oustou sexual e moralmente libertada e renunciar a isso seria talvez socialmente mais aceite, mas estaria a negar uma parte de mim, estaria a ser hipócrita comigo mesma.
“Obrigada por partilhares o teu mundo comigo.”