sábado, fevereiro 26, 2005

Sobretudo...

Quando o teu rosto surgiu, escurecido sob a ténue luz do interior amórfico em que te encontravas, julguei que afinal não te conhecia de todo. Senti-te uma aparência corriqueira que não esperava e desinteressei-me da conversa circunstancial que lançaste no ambiente. Estava desiludida e contra isso nada ousaste argumentar.
Engoli-te os gestos, desculpei-te o bom humor e até tolerei duas ou três opiniões, que sabias, discordantes. No entanto e depois de todo a enumeração de defeitos descabidos com que te cruzei, a paixão que sentia aquando do timbre da voz enrodilhada que te era natural, continuava presente e provocadora à minha necessidade abrupta de te tocar o corpo e o âmago.

Não sei explicar este todo que me apoquenta, não sei entender a tolerância que demonstro perante um génio estranho e naturalmente imperfeito que me demonstras…nem sei sentir por ti algo que não seja esta miscelânea descabida. Portanto, suponho que te amo…


Rayfresh by Shiver

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

O verdadeiro amor

O meu momento apaziguador, surgiu ao virar da meia-noite.
Sentada no fundo obsoleto do autocarro fétido, puxei da minha “Única” e fui passando os olhos nos artigos que têm vindo a aguardar pela minha atenção (o trabalho tem-me roubado imensas horas) desde o sábado em que foram publicados. Algumas paginas à frente do índice, depois de desfolhar “Bomba Inteligente” e “Grandes Dias, Pequenos mundos” surge a minha adorada, amada, “Crónica Feminina” de autoria e filosofar por Inês Pedrosa (essa bendita génio); o tema desta edição é amor e seus caminhos incompreendidos.
“Amor e seu caminhos!”, bem, à primeira vista não é tema que me interesse por aí alem, mas o emaranhado literário, o trocadilho gramatical e o constante sentido conotativo de palavras habitualmente esquecida ao nosso vocabulário corrente, fazem desta pequena narrativa um maravilhoso trecho de âmago e sentido lírico, deveras agradável e audaciosamente instrutivo ao nosso limitado rol de fonemas quotidiano.
Depois, Inês, dotada de uma inteligência e uma sensibilidade invulgares, insiste em mostrar-nos o grau do seu, particularmente romântico, filosofar e pinta-nos, a nós sociedade, como desconhecedores da paixão e afinidade existente entre os martirizados Carlos e Camila, aliás, para tal até utiliza umas expressões “do povo” que conferem humor e sátira sobre os impiedosos leigos.
E assim, remata todo o “pensar” com um apontamento de desdém sobre aqueles que invejam o final feliz de uma história, que tinha tudo para ser mais um banal caso de amores traídos e sentimentos (enfim) perdidos nos meandros da crueldade destes fados.

"Há quem morra sem saber quem amou. Há quem seja capz de ver, aos vinte e poucos anos, que já encontrou a pessoa da sua vida, mas que só conseguirá entender-se com ela depois dos cinquenta..."

"A ele consideram-no gagá, evidentemente, porque não casou com uma Scarlett Johansson ou, vá lá, uma Madonna quarentona. Ele sempre foi gagá, acrescentam alguns, porque, mesmo depois de casado com a jovem beldade embrulhada em celofane que era Diana, continuou a amar a vulgarissíma Camilla".

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

desabafo

Estou fechada em casa há três dias por culpa de uma faringite, e estou deprimida. As alarvidades que se dizem aqui nos comentários… A prepotência desta gente a julgar-nos e a ousar pensar conhecer-nos! Só nos conhecem pelo pouco que aqui escrevemos... Não ouvem o som das minhas asas a roçar na mísera conformidade que os seus valores apregoam! Também eu os apregoaria se procurassem justiça: eu que não tenho a noção de pecado ou de obscenidade, não tenho também em mim crueldade.
Já me passou a depressão, a escrita é terapia!! Fiquei aturdida com os comentários de maldade obscura, mas sou descrente no ser humano. Não se aprende a sofrer menos, mas a evitar o que causa sofrimento… e assim aceito-me como sou, os meus pilares estão em mim e nos meus amigos. A esses sim dou o direito de me julgarem!

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Memória em álbum

Um quarto cubículo, orientado sobre as traseiras do edifício escuro da frontaria, ouviu-nos a selvajaria dos sentidos e o deleite no corpo. Sentiu-nos os gestos, o arrastamento sobre o soalho, o fascínio no olhar de cada um sobre cada qual e principalmente…os sorrisos trocados! Um quarto cúbico que registei sob o escrutínio da minha objectiva.

Peguei na máquina fotográfica, coloquei-a no topo da cómoda vitoriana, corri despida até à cama, enrosquei-me nos seus braços e sorri, feliz, no registo da noite que não vou querer esquecer e a qual vou recordar sempre bela através de um fotograma perfeito.



Candace Meyer

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Intimidade

foto de richard kern
Intimidade é sentirmos à vontade suficiente para mostrarmos o nosso lado mais frágil, é mostrarmo-nos indefesos e carentes a alguém em quem confiamos.
Para mim sexo não é intimidade porque não deixo transparecer qualquer fraqueza, qualquer carência e sobretudo não estou indefesa.

domingo, fevereiro 13, 2005

Ligas, rendas, volúpia, glamour…

Se há uns anos atrás me tivessem pedido para caracterizar o meu homem ideal tê-lo-ia descrito: intelecto, conhecimento, cavalheirismo. Sinto-me humilde perante ele.
Fui a sua casa para ser fotografada – mera desculpa, ambos o sabemos. “Deixa fluir, deixa-me partilhar contigo a minha loucura.” Tinha-lhe dito.
Sentados no sofá começou a fixar a imagem de partes de mim enquanto me ia despindo. Devo confessar que me senti nua, talvez por o estar, talvez porque todo o meu ser estava ali, não só o meu corpo: ele conhece-me como poucas pessoas. Já me tinha sentido nua perante ele, quando disse que era apenas um brinquedo novo para mim. A sua reticência no envolvimento físico levava-me a encará-lo como um capricho, um desafio. O meu brinquedo, o meu agora amigo, é perspicaz. “Se ele não tomar a iniciativa, também não o farei”, pensei.
A música que escolheu e a volúpia que sinto sempre que nos tocamos enchem-me o peito.
“Beija-me.”, diz. Sorrio e liberto o desejo tocando o seu corpo, puxando-o para mim, sentindo-o tocar-me, beijar-me, lamber-me. Inspiro de prazer quando me penetra. Coloca a voz e pergunta “Então e do que é que queres falar?” “ Define futilidades.” “Foi onde perdemos o tempo até agora.”
“Vamos para a mesa, uma refeição como tu tem que ser na mesa!”, quase coro. Ligas, rendas, volúpia, glamour…. Até o sangue e o prazer se espalharem a correr pelas veias acelerados e exultantes, e no entanto, sem sequer roçar a animalidade!
Conversamos, dançamos, tiramos mais fotografias como fazemos sempre, mas desta vez saciados e mais verdadeiros.
É assim a minha loucura: sensualidade, prazer. Como se me rodeasse uma aura cor-de-rosa com laivos de vermelho, chamas ardentes de necessidade carnal. Enfim, amoralidade, ou uma moralidade complexa, paradoxal. Sou libertina, oustou sexual e moralmente libertada e renunciar a isso seria talvez socialmente mais aceite, mas estaria a negar uma parte de mim, estaria a ser hipócrita comigo mesma.
“Obrigada por partilhares o teu mundo comigo.”

Porto é amor!

Amei-te mal! Não compreendi tudo o que representas. Se ao menos te tivesses revelado antes, para que esta descrença relativamente à tua beleza, fosse totalmente desvanecida e contrariamente difundida. Mas insistiram em afastar-me do teu conhecimento, insistiram em me tapar a vista com a rudeza das tuas arestas, sem me mostrarem a pureza desse âmago verdadeiro, directo e tão fiel. Agora, a tua escuridão estarrece-me a consciência, a tua perfeição, fugida dos parâmetros estéticos das novas cidades modernas e amplas, confunde-me as sensações e a opinião…mas depois destes dias, sei que finalmente percebi o quão bela és!



segunda-feira, fevereiro 07, 2005

“Quer saber porque não fodo consigo?”, gritou. O facto de finalmente ele querer dar-lhe uma explicação para a cena deplorável, deixou-a perplexa, e ela estacou, dez centímetros abaixo do seu queixo.
“Porque?” perguntou ela, com um olhar turvo.
“Porque você é uma puta” jorrou ele. “E eu não fodo com putas”.



Rigon

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

dildos

foto de terry richardson


Isto não faz muito o estilo do Romances, mas como é giro e foi a Cris, eu acedo.

1. Have you ever used toys or other things during sex?
Já usei cubos de gelo, vendas e algemas (adoro), um fio de pérolas (dão para fazer coisas fantásticas, especialmente se forem verdadeiros e se nos tiverem sido oferecidos no dia), e… o gajo, que “during sex” é sempre o principal brinquedo.

2. Would you consider using dildos or other sexual toys in the future?
Tendo o gajo não é preciso o dildo.

3. What is your kinkiest fantasy you have yet to realize?
Só me falta debaixo de água e swing, claro.

4. Who gave you this dildo?
A Cris, a quiduxa do Lilás com Gengibre.

5. Who are the ones to receive this dildo from you?
Ao Flashy, à Bo e à Mafalda, porque são os meus melhores amigos; e à Joanita, à Infottrafic, e à periquita porque são umas queridas!