segunda-feira, janeiro 31, 2005

O que me vai p’lo pensamento

Foda-se… no que é que me vim meter? Ele parece um puto que esta a descobrir o sexo, cheio de tesão mas não parece saber o que esta a fazer, e o que faz, fa-lo à pressa!!
E dá tantos beijinhos… só que a barba pica e em vez de excitar magoa-me, arranha-me! E esta com o cabelo oleoso!!!
- Passa-se alguma coisa? Pareces ausente.
- Desculpa… estou tão cansada, não consigo. Levas-me a casa?

quarta-feira, janeiro 26, 2005

A urgência primitiva e insana de me lançar sobre os braços daqueles que me atraem o corpo e o vício aprazível de me sentir profanada, impulsiona-me a conhecer quartos e corpos tão distintos quanto medonhos…Por vezes, após a cópula, dou comigo aterrorizada e aturdida sob águas cujo cheiro fétido me entorpece a mente, assim como me confunde as recordações que não vou querer lembrar…e choro, gemo, definho, numa banheira corroída, em que as manchas ferrugem se propagam como praga ameaçando usurpar-me o cadáver e o âmago da desonra!

E assim vos apresento…o outro lado do coito, o outro sentido da queca ocasional e imprevista, que afinal, não é tão libertina como nós próprios apregoamos.



consciência

Sinto que sou observada quando saio da água. Calço os chinelos e entro nos balneários com a minha toalha fucsia sobre os ombros, enquanto retiro a touca e os óculos da cabeça.
No chuveiro, o meu gel de banho adocicado expurga-me do cheiro do cloro e eu vou fazendo a sinopse do dia. O que fiz, o que não fiz, o que devia ter feito. Acredito que podemos muito bem com a consciência dos outros, mas não podemos fugir à nossa própria consciência, e eu sinto-me bem.

domingo, janeiro 23, 2005

Mail: send to…

Querido, vou ter um congresso na tua cidade, e queria perguntar se me darias guarida na tua cama. Em troca torno-me tua escrava sexual durante esses dias e fora o tempo que hei-de estar no congresso, eu inteira estou ao teu dispor. Aceitas? Vá lá…
Lu

P.S.: Mas nem penses que eu vá engulir.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Saudade de ti amor!

Flores pálidas, talhadas em alabastro luminoso, enfeitam-me os cabelos desgrenhados e o sentido romântico. Árvores viçosas, comprimidas entre arbustos atafulhados de silvas selvagens, tapam o céu ofensivo de sol demasiado doirado, enquanto que a relva sarapintada com flores bravias me ladeia o corpo e me humedece as roupas de tafetá incolor.

Amo esta iluminura idílica, assim como amo os lindos momentos nostálgicos em que nela me deitei…


segunda-feira, janeiro 17, 2005

Upper Garden



“Era uma festa muito formal. Eu não tinha reparado nele. Ele é homem! Eu desprezo os homens. Pelo menos, desprezo o paleio sobre politica e economia que dominava a conversa de todos os que por ali estavam, e por isso é que tinha decidido dedicar a noite a treinar o que aprendi nas aulas de dança. Foi o parvo do J.M., aquela bicha tresloucada que estava a dançar comigo. Ao encontrar uma pindérica qualquer amiga dele, causa uma inconcebível troca de pares e eu vejo-me nos braços do Mr. Bond, James Bond, saído de uma das cenas dos casinos.”

“Tens que vir, não aceito um não como resposta. Foram as última palavras que o Jaime me disse ao sair do escritório. Tinha-me dito que naquela noite iria dar uma festa no Upper Garden. Com a sua mania das grandezas de onde não tem mais onde gastar o dinheiro tinha alugado para a sua festa particular a mais luxuosa discoteca da cidade. Já sabia de antemão o que iria encontrar e não me apetecia ir, mas realmente ele não recusava um não e, afinal de contas, ele era dono de metade da cidade, tinha e ir.

Cheguei a casa já tarde, felizmente ainda encontrei o jantar no forno. Santa D. Vera - pensei relativamente à empregada - tinha de comer pois a noite iria ser longa. Após tomar um duche, vesti o smoking e rumei ao Upper Garden. Entrei sozinho. À entrada os gorilas habituais pediram o convite, uma extravagância do Jaime, um cartão dourado com um brasão (supostamente da família do Jaime) a pender. Tinha-mo deixado em cima da secretária quando bateu com a porta.
Entrei e deparei-me com o esperado. Um desfile de putas reluzentes. Sabia a história de algumas outras nem conhecia. Mas davam sempre muito jeito, ficam muito bem ao lado de um homem de negócios e não se importam de viajar, especialmente se for para Monte Carlo, Paris ou Londres, sempre fazem companhia. A festa tinha já começado, a pista estava cheia de vestidos de corpos para todos os gostos, todos apetecíveis. Dirigi-me ao bar e pedi por um vodka-martini e virei-me para apreciar a pista, os lances que se estavam a desenrolar, quem estava ao ataque... Nisto aparece-me a Beatriz.

Beatriz fora a minha “acompanhante” na minha última viajem a Copenhaga. Foram dias maravilhosos. Um corpo daqueles faz parecer qualquer cidade fria e cinzenta o mais alto dos céus. Não me poderei esquecer todo o prazer que aquele corpo podia proporcionar, e ela sabia disso... Mas como sempre estava a tornar-se enfadonha.

Ao chegar beijou-me, eu assenti. - Apetece-me dançar, anda. - Segui-a sem vontade. Estávamos a dançar nem ainda a 5 minutos quando um tipo de t-shirt verde e calças ao xadrez (mais um dos amigos do Jaime) que dançava como um profissional com uma mulher que não conhecia se virou para nós e gritou - Bêá, tenho de falar contigo. É urgente. - Nisto virou-se para mim e disse-me já mais baixo em tom de confidência – Empreste-ma por um momento - De seguida agarrou na Beatriz a dançar muito juntinho aos cochichos. Fiquei a olhar para a mulher que estava a dançar com ele, sorri, e convidei-a a continuar a dançar comigo. Ela assentiu. Trazia um vestido que deixava observar o seu corpo em toda a plenitude. Via-se que havia ali um toque divino. À medida que a música avançava apertei-a mais junto a mim para poder sentir aquele peito junto ao meu, no entanto mantinha-mos uma conversa formal. Notei que não ficou minimamente perturbada com a troca. Deve ser profissional, pensei...”

“Enquanto dançávamos observava-o. Vestia um smoking armani collezione, aceitável mas não deslumbrante, e trazia um relógio Longines, digamos que bastante aceitável! A melhor forma de vislumbrar o tamanho da conta bancária de um desconhecido é sobretudo pela marca do relógio. Ele é muito rico, bem parecido e muito convencido: cheira extraordinariamente demais a um perfume, apesar de tudo agradável, que ficou um pouco impregnado em mim. Teve o bom gosto de não referir o deficit, o pacto de estabilidade, etc., etc.. Não pareceu um daqueles chatos que só sabe falar de trabalho. Gostei, e confesso que passei o resto da noite a reparar nele.”


por Lu e Mr. Di

terça-feira, janeiro 11, 2005

saudades

Anseio pelo cheiro do teu perfume, pelo conforto do teu corpo, pela tua voz, pela tua presença a perceber-me, a sentir-me e a confortar-me.

Receio o tempo que esvai de mim as memórias dos tempos que passámos juntos.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Creio que há pessoas que não se deviam reproduzir.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

areal. Figueira da Foz

Correr desgovernada, ao som dos foguetes que me estoiravam contra o corpo desnudo de maldições e incoerências retrospectivas, libertou-me a emoção de estar viva e sã sobre a areia molhada de lágrimas outrora vertidas…E atender à puta da incoerência que me caracterizou durante toda a noite, percebendo a maldição implícita nas palavras que me disse como sendo verdadeiras e “para meu bem”…fez-me extravasar a insanidade de que sempre necessitei e à qual nunca liguei!

Correr desgovernada, frente ao mar, banhada de luz e sonoridades festivas abriu-me um sorriso que em mim não conhecia e que a mim fazia falta.



Toby Deveson