quarta-feira, dezembro 01, 2004

Carlos,penso que era esse o seu nome...ou seria José?

23:52

“Bo, ao tempo que não a via!” balbuciou um moço franzino a meu lado no caminho austero e assustador das ruelas nocturnas da universidade. Olhei-o surpreendida pela petulância e sem lhe reconhecer as feições disse: “Desculpe? É óbvio que não o conheço…”, ele parou especado, encarou a Sé Velha e a minha postura esguia frente à fachada do edifício, obrigou-me a parar e disse: “costumavas estar nos cafés de Celas, não acredito que não te lembres de mim...que merda, era eu sempre que te ouvia reclamar por causa dos croissants de chocolate frios!”
Sorri, aproximei-me e sussurrei: “O garçon arrogante da Vasco da Gama! Como é que me reconheceste? Eu não passo em Celas há mais de dois anos…”, ele respondeu-me, visivelmente envergonhado: “Pelo perfil, pelo balançar do corpo, pelo vestido évasé…não sei…mas diz-me, sempre estas no mundo da moda?”, Ri: “Deus do céu, como sabes isso? Eu falava assim tanto contigo?”
Nesse momento alguém me chamou de dentro do barzinho apinhado junto ás escadas…Despedi-me com dois beijos repuxados deixando a conversa infrutífera cortada, ele pareceu-me ofendido…pediu-me o número de telemóvel…eu recusei dar-lho! Não vi qualquer senso nisso…
Corri para junto dos meus amigos, enfiando os saltos ora aqui numa pedra, ora ali numa frincha, ele segui-me; quando parei junto ao porteiro, senti-o mais uma vez prender-me o braço e ouvi-o dizer: “eu adorava-te!”. Não sei o que lhe disse, tal não foi a sensação aturdida que me invadiu…mas…minutos depois estava dentro do bar…e segundos depois já nem me lembrava do incidente!