quinta-feira, dezembro 30, 2004

This Mess we're In - PJ Harvey


Can you hear them?
The helicopters?
I'm in New York
No need for words now
We sit in silence
You look me
In the eye directly
You met me
I think it's Wednesday
The evening
The mess we're in and
The city sun sets over me

Night and day
I dream of
Making-love
To you now baby
Love-making
On-screen
Impossible dream
And I have seen
The sunrise
Over the river
The freeway
Reminding
Of this mess we're in and
The city sun sets over me

What were you wanting?
I just want to say
Don't ever change now baby
And thank you
I don't think we will meet again
And you must leave now
Before the sunrise
Above skyscrapers
The sin and
This mess we're in and
The city sun sets over me


Sim, estou apaixonada, é passageiro, mas extremamente delicioso enquanto vai durando!



segunda-feira, dezembro 27, 2004

Homenagem à pinça

Parti a minha pinça. Foi uma grande perda… nunca tinha dado o devido valor à minha bolsinha necessaire, a bolsa onde guardo os meus instrumentos de beleza. Eles vão-se coleccionando ao longo de anos, são companheiros dos momentos nervosos antes de um encontro importante, das correrias antes das festas e dos momentos solitários de narcisismo ou insegurança diante do espelho.
A minha pinça foi-me oferecida há muitos, muitos anos, ganhei estima por ela e foi difícil encontrar uma substituta.
Pinça: vou-te recordar como a um amigo.


segunda-feira, dezembro 20, 2004

António


A Marilyn Monroe tinha razão quando disse que “os homens não vão embora quando conseguem o que querem (aka sexo), porque querem sempre mais”.
O António foi o primeiro Peter Pan com quem me envolvi, tenho muito carinho por ele e aprendi imenso com a nossa relação: ele está habituado a mal conhecer as pessoas com quem fode, e já se habituou a preocupar-se apenas com o seu prazer. Eu era muito ingénua (eu já fui ingénua!) e nessa altura preferia dar prazer a tê-lo. Volta e meia quando passa por Coimbra aparece e eu acabo num qualquer ermo a ser sodomizada enquanto lhe chamo puta e lhe grito palavrões.

Começou por me beijar, sem sofreguidão mas com intensidade, e foi-me encostando contra a parede.
“Tiveste saudades minhas?”
“Imensas…”
As minhas mãos percorrem a sua nuca e puxo-o para mim com o antebraço no seu pescoço. Tento segura-lo também pela cintura e arranhar-lhe as costas com as minhas unhas compridas, mas ele agarra-me a mão e faz-me sentir o tamanho da sua virilidade. Desapertei-lhe as calças, puxo toda a sua roupa para baixo e acaricio o seu sexo. Uma coisa que gosto nele é que controla mas não me força a fazer seja o for, e é muito meigo, quase romântico! Toca-me com jeitinho no ombro para me dar a entender o que quer e eu ajoelho-me.
“Não me quero vir já.”
“Então não te venhas.”
Está irrequieto, vai-me obrigando a parar para o beijar. Tento diminuir a sucção, contudo segura o meu cabelo e tenta controlar os meus movimentos. Eu não me importo até ele se empolgar.
“Desculpa, mas isso estimula-me a garganta.” Não consegui evitar dizer, estava prestes a vomitar.
Levanta-se e vem para trás de mim. Sexo!
“Mais força.”, digo em jeito de ordem, aumenta o ritmo.
“Gostas?”
Não lhe devia estar a ser confortável. “Deita-te no chão. haa… Em cima das minhas calças.” Assenti. (foi uma coisa muito gira da parte dele, muito querida.)

Acabamos por nos vir os dois ao mesmo tempo (muito giro!) na posição de cachorrinhos, ele a segurar-me pelas cristas íliacas (ancas), eu a acariciar-me e sim, sodomia.

Passamos uma hora a conversar. Em relação ao António não sou (não posso ser, não me atrevo a ser) prepotente, mas creio que ele me acha tão interessante como eu sempre o achei a ele. A ambos tivemos pena de não podermos passar mais tempo juntos.

Para agradecer ao Carlos o livro da Anais Nin aqui está um texto mais longo. Já agora, suavemente arrogante? Eu? … Achas? Nããã…

Descobri um jardim de giestas e campainhas bravias

Agarraste-me com a força bruta que te caracteriza o espírito, puxaste-me ao ermo da rua e disseste-me, em catadupa, toda a confusão que te revirava a calma (que nunca terás). Desesperado, perguntaste se queria flores, se gostava de chocolates, se preferia a tua mão dada à minha…ou se apenas queria uma chamada de boa noite quando me sentisse cansada do dia acabado…

Sorri divertida por te ver o sangue inchar as veias e sussurrei: “Amor és tão ridículo, eu só quero foder!”





sábado, dezembro 18, 2004

Istambul ao fim do dia

Uma mochila empapada de tralhas inúteis segura-me a atenção sobre o fecho que quase rebenta. Pego-lhe ao fim de alguns minutos de hesitação e lanço-me escada abaixo, rápido, antes que me arrependa!
No degrau do bloco, sentado sobre o gelo da madrugada, está ele, calmo e sereno, olhando o relógio expectante a minha chegada. Sorri-me, abraça-me, pega-me o pulso e desprende-nos numa correria louca através do nevoeiro que emana nas réstias de luz do amanhecer.

O frio embate-me no rosto despertando-me a consciência e impingindo-me a verosímil consequência que terei de enfrentar daqui a uns dias, quando toda esta insanidade acabar, quando tiver de enfrentar, junto dos meus e dos seus familiares, a infantilidade que acabamos de cometer…mas, as ditas aterrorizadoras consequências virão depois...agora? Quero lá saber!





quarta-feira, dezembro 15, 2004

tchau tchau

Da forma abrupta como me despachaste (“tu pressionas-me!”) deves pensar que eu sou descartável (“coitadita da pita da territa a ter ilusões com o moço famoso…”). Tu também o és, querido.
Sabes… eu penso em todas as possibilidades em relação ao carácter e possíveis acções das pessoas e ponho a fasquia das minhas expectativas muito baixa em relação a toda a gente. Tu não és excepção.
Como te hei-de dizer isto? Lembraste dos dias em que passei em tua casa no ano passado? No dia em que me foste levar ao comboio e eu parti chorosa, outra pessoa me foi buscar à estação no fim da viagem. Tal como acordei nua na tua cama, adormeci nua num carro à beira mar.
E não me venhas com ataques ridículos de orgulho ferido, não há paciência.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

resposta

Puta tem sinónimos: rameira, meretriz, pêga, putéfia…

A quem um dia disse que eu sou a Anais Nin portuguesa… obrigada! Não a conhecia, agora identifico-me imenso com ela e adoro-a. Sinto-me cada vez mais lisonjeada com esse seu comentário.


terça-feira, dezembro 07, 2004

Lascivia!!

Põe a mao aqui, sentes-me a excitação?




Uma vertiginosa catadupa de palavras debitadas sobre um espaço antagónico de ideias mal acabadas e pensamentos ainda não definidos. Nós, juntos e atentos, cada um munido dos seus argumentos, sem espaço para movimento ou autorização de toque sobre o outro…São as regras: corromper, através da lascívia das palavras, o desejo no outro (e o seu também), sem que haja todo ou particular contacto físico!
Um pequeno-inocente jogo que nos excita o corpo e nos remete a paisagens burguesas cravejadas de diamantes taurinos (de tão enormes que são) e ondas impregnadas de cheiro animal. Uma pequena-inocente conversa que nos deixou deveras desinquietos, completamente atordoados com o que faríamos de seguida com nossos corpos sequiosos pela ausência do outro…se não fosse a maldita distancia que se nos entrepunha.
E tudo acabou como sempre, o fechar de mais uma janela no pc!



quarta-feira, dezembro 01, 2004

Carlos,penso que era esse o seu nome...ou seria José?

23:52

“Bo, ao tempo que não a via!” balbuciou um moço franzino a meu lado no caminho austero e assustador das ruelas nocturnas da universidade. Olhei-o surpreendida pela petulância e sem lhe reconhecer as feições disse: “Desculpe? É óbvio que não o conheço…”, ele parou especado, encarou a Sé Velha e a minha postura esguia frente à fachada do edifício, obrigou-me a parar e disse: “costumavas estar nos cafés de Celas, não acredito que não te lembres de mim...que merda, era eu sempre que te ouvia reclamar por causa dos croissants de chocolate frios!”
Sorri, aproximei-me e sussurrei: “O garçon arrogante da Vasco da Gama! Como é que me reconheceste? Eu não passo em Celas há mais de dois anos…”, ele respondeu-me, visivelmente envergonhado: “Pelo perfil, pelo balançar do corpo, pelo vestido évasé…não sei…mas diz-me, sempre estas no mundo da moda?”, Ri: “Deus do céu, como sabes isso? Eu falava assim tanto contigo?”
Nesse momento alguém me chamou de dentro do barzinho apinhado junto ás escadas…Despedi-me com dois beijos repuxados deixando a conversa infrutífera cortada, ele pareceu-me ofendido…pediu-me o número de telemóvel…eu recusei dar-lho! Não vi qualquer senso nisso…
Corri para junto dos meus amigos, enfiando os saltos ora aqui numa pedra, ora ali numa frincha, ele segui-me; quando parei junto ao porteiro, senti-o mais uma vez prender-me o braço e ouvi-o dizer: “eu adorava-te!”. Não sei o que lhe disse, tal não foi a sensação aturdida que me invadiu…mas…minutos depois estava dentro do bar…e segundos depois já nem me lembrava do incidente!