quarta-feira, outubro 27, 2004

momentos felizes

Ele vai atender o telemóvel e eu sigo-o até ao patiozito deserto. Chegamo-nos para o cantito e enquanto ele fala, abraça-me e lambo-lhe o pescoço com a ponta da língua. A ponta da língua só sente o doce, as áreas sensitivas do amargo e o salgado são lá mais para dentro para a garganta, e além disso mesmo que quisesse lambê-lo bem ele é alto e eu não lhe chego… Ele apercebe-se e baixa-se um pouco para lhe poder também passar a língua pelo lóbulo da orelha e pelos lábios.
Ele enfia o braço pela minha camisola que me deixa o ombro desnudo e os seus dedos descem pela minha pele e brincam com o fiozito de prata que uso à cintura com uma madelhita de uma Virgem (a virgem foi ideia da Bo, é fantástica!).
Por estes efémeros momentos que estou contigo, com ou sem o suposto show off , vale a pena esperar…

terça-feira, outubro 26, 2004

“Ruído” na comunicação!

O odor do meu cigarro queimado e esmagado sobre o cinzeiro prateado da cozinha, faz-me lembrar o teu movimento e o cheiro que dele se despregava! Descrever a confusão de sentimentos e emoções despertadas naquelas horas é injusto, vago e trabalhoso…nenhuma das minhas palavras, por mais rebuscadas e estudadas que sejam, podem transmitir os instantes de volúpia vivida.
Pego numa chávena de café quente, sento-me na cadeirita singela junto ao televisor e beberico cada gole…relembrando…

Estou lá de novo, superada, irada, confusa!
Ouvindo os teus dizeres românticos e atenciosos…enquanto me reprimo e retraio por não ser capaz de te enfrentar verbalmente!

Estou lá de novo, deitada, extasiada…
Entregando o meu peito sob a sucção da tua boca ávida que me desrespeita e enlouquece a cada instante.

Estou lá de novo, prostrada, de gatas sobre a tua cinta, lambendo, sugando, mordiscando (sem vergonha ou pudor) cada centímetro de pele circundante aos teus mamilos eriçados (a prazer).


Embalada pela onda lasciva do meu devaneio nostálgico, pego no telefone e aguardo ansiosa a tua voz adocicada sobre a linha que nos separa…Impaciento com os toque que tardam em ser cortados pelo teu som e…Merda! Atendedor de chamadas:
“Oh!!! olá querido, está bom?...hum…fala a Bô!...é que…liguei-lhe porque…ora, tenho uma coisa para lhe dizer…hum, não é nada de importante…mas… deixei o meu cinto, sabe aquele Prada? no seu porta-luvas! É, é isso…veja se me o manda por alguém! Beijo”


domingo, outubro 24, 2004

Eu sou virgem...

O amigo de um amigo de uma amiga minha. Bem parecido e convencido. Uma saída a quatro. Uma discoteca. Depois de me mirar e do parlapié engatatão chega-se a mim e diz "tenho namorada." Fico revoltada mas não o demonstro, planeio.
Quando saímos da discoteca, vou com ele no carro para um qualquer ermo. Provoco-o, excito-o, e no momento em que me começa a tentar despir, páro. Páro e olho através do da janela do carro para as sombras. "Desculpa..." digo, quase a chorar, sem o olhar para não me descontrolar e começar a rir. Respira fundo e toca-me no ombro, sem saber muito bem o que dizer. Fecho a mão com força... "desculpa... tu estás a ser muito querido, e eu também estou muito excitada... mas sou... virgem. Desculpa."
Abraça-me, respirando fundo para se controlar. Quase tenho pena dele. Só quase. Quando melhora, tenta recomeçar uma conversa, mas eu pareço que estou tão chateada comigo própria, tão introspectiva, que desiste, e me pergunta onde moro para me levar a casa. À porta do meu prédio, antes de eu sair, pega-me na mão, beija-a e diz-me olhando-me nos olhos que "gostei muito desta noite, está bem?" Esboço um sorriso e dou-lhe um beijo na cara. És tão ridículo. Nunca hás-de saber o que te fiz. Mas fi-lo. Tal como a pobre da tua miúda não sabe o que tu lhe fazes.

sexta-feira, outubro 22, 2004

absolut "dose"

A minha lucidez era rigorosamente nenhuma. No momento em que alguém me agarrou, revirei a cabeça histérica e percebi (pela extravagante reacção) o quão exagerada havia sido na puta da dose…Olhei para esse alguém que gritava, que me sorria, que me tocava…e não fui capaz de articular qualquer palavra ou qualquer gesto. No meu interior sentia-me desesperada, na minha embalagem aparentava serenidade e acalmia…vá-se lá saber porquê…talvez tenha sido mesmo a puta da dose!!!
Que se foda!


quarta-feira, outubro 20, 2004

Bo!!! Parabéns!!!

Não, não é deja vú, a Bo faz anos dois dias depois de mim!!

terça-feira, outubro 19, 2004

Eu podia ter interrompido aquela humilhação com um gesto negativo. Mas a cena era de tal modo viciosa, tão pura nas suas acções selvagens que não fui capaz de cortar tal libido! Uma sensação de vergonha e incompreensão encheu o meu peito despido e vergonhoso…merda! Acaba sempre com arrependimento!

De resto, toda a minha vida tem sido assim, estranha, vaga, obsessiva e descontrolada, tal qual os momentos obscenos e pútridos que insisti em sugar, tal qual os minutos desgastantes e infrutíferos de projectos idiotas, mais ou menos perigosos, que insisti manter! E é neste dia, véspera dos meus anos, que relembro cada instante, menos bonito e menos poético de mim mesma…De certo que não me vale de nada…mas é inevitável!

segunda-feira, outubro 18, 2004

Lu!!!!!!!Parabens!





domingo, outubro 17, 2004

Son of A Preacher Man - Janis Joplin

Billy-Ray was a Preacher's son,
And when his daddy would visit he'd come along,
When they gathered round and started talking,
That's when Billy would take me walking,
Through the back yard we'd go walking,
Then he'd look into my eyes,
Lord knows to my suprise:

The only one who could ever reach me,
Was the son of a preacher man,
The only boy who could ever teach me,
Was the son of a preacher man,
Yes he was, he was, oh yes he was.

Being good isn't always easy,
No matter how hard I tried,
When he started sweet talking to me,
he'd come tell me everything is alright,
he'd kiss and tell me everything is alright,
Can I get away again tonight?.

The only one who could ever reach me,
Was the son of a preacher man,
The only boy who could ever teach me,
Was the son of a preacher man,
Yes he was, he was, oh yes he was.

How well I remember,
The look that was in his eyes,
Stealing kisses from me on the sly,
Taking time to make time,
Telling me that he's all mine,
Learning from each others knowing,
Lookin' to see how much we've grown and

The only one who could ever reach me,
Was the son of a preacher man,
The only boy who could ever teach me,
Was the son of a preacher man,
Yes he was, he was, oh yes he was.

sexta-feira, outubro 15, 2004

Nessa noite dirigi-me ao quarto.
Sussurrei-lhe aquilo que sentia num bafo quente e húmido sobre o lóbulo gelado da sua orelha! Disse-o, mais e mais vezes, repetidamente, para que sentisse cada palavra lasciva e obscena que a minha boca proferia…Para que sentisse o meu próprio desejo nas letras emaranhadas e nos gemidos acompanhados de interjeições confusas, que insistia libertar a cada segundo!!!!
Não eram palavras sexuais, não eram rudes, vulgares…ordinárias! Eram sentimentos eróticos (provocados por ele), sentimentos sensuais, que necessitava de transbordar sobre ele mesmo…para me libertar do sufoco silencioso e da tortura impiedosa da censura em mim por mim infringida!



quinta-feira, outubro 14, 2004

A Vodafone espalhou cartazes por todo o lado: Passe o dia 18 com quem quiser. É o meu aniversário e não quero passa-lo com ninguém.

foto de Bettina Salomon


terça-feira, outubro 12, 2004

Foder Mata

Mal saio do laboratório abro o envelope com cuidado. Sei que não devia fazer isto, foi a medica quem pediu as análises, mas não vou esperar pela porra da consulta.
Nos meus parcos conhecimentos para deslindar o hemograma, pasmo ao ver qualquer coisa positiva em relação às hepatites. Hepatite B. Impossível!!! Sei o que é, sei os sinais e os sintomas. Não. Não tenho porra de hepatite nenhuma!! Telefono para o consultório da Dra, a ver se consigo consulta para mais breve, mas a exorbitância que lhe pago não é suficiente para alterar a data da consulta.
Penso nas merdas que andei a fazer nos últimos tempos. Sim… tenho que ser sincera que não fui muito cautelosa. Se estiver bem, se isto não passar de um equivoco, até vou a Fátima acender meia dúzia de velas.
A Bo prega-me um sermão e vem comigo á consulta. A médica abre o envelope violado por mim e vai olhando os resultados. Na terceira folha a sua expressão altera-se: “tem a vacina da hepatite B?” Tenho. Continua a ler e diz que está tudo bem. Foda-se! Anticorpos!! Daaahhh…
Apendi a lição. Lá vou eu ter que ir a Fátima inutilmente.

segunda-feira, outubro 11, 2004

"Choro, merda."

domingo, outubro 10, 2004

"Finge que és uma actriz e estás num filme. É o que eu faço sempre."

sábado, outubro 09, 2004

Neblina fria e cerrada junto ao mar. Caminho sonolenta pela praia deserta, pontapeando montículos de areia e conchinhas cálidas que vêm ao meu encontro.
“Que sentimento apaziguador!”
Sento-me sobre a superfície rugosa e húmida da areia grosseira, desligo o (maldito) telemóvel, inspiro o sal do qual o ar está impregnado e penso: ”Se não fosse viciada em sátiras urbanas, passava assim o resto dos meus dias…E havia de definhar, vencida pela fome e pelo ócio, num sítio como este, belo e tentador!”



"Sour Times"

To pretend no one can find
The fallacies of morning rose
Forbidden fruit, hidden eyes
Curtises that I despise in me
Take a ride, take a shot now

Cos nobody loves me
Its true
Not like you do

Covered by the blind belief
That fantasies of sinful screens
Bear the facts, assume the dye
End the vows no need to lie, enjoy
Take a ride, take a shot now

Cos nobody loves me
Its true
Not like you do

Who oo am I, what and why
Cos all I have left is my memories of yesterday
Ohh these sour times

Cos nobody loves me
Its true
Not like you do

After time the bitter taste
Of innocence decent or race
Scattered seeds, buried lives
Mysteries of our disguise revolve
Circumstance will decide ....

Cos nobody loves me
Its true
Not like you do

Cos nobody loves me
Its true
Not like you
Nobody loves.. me
Its true
Not, like, you.. do


quarta-feira, outubro 06, 2004

Chá verde com mel??

Estava febril, dorida, tonta. Tomo um qualquer paracetamol e quando ele chega já estou melhor.
-Eu faço-te um chá.
Vamos para a cozinha, provoco-o, acabo sentada na bancada ao lado do fogão a ser toda lambida e a ter um orgasmo histórico! Ainda ofegante tento sair da bancada com a ideia de me esmerar para lhe agradecer mas ao pôr-me de pé tenho uma tontura forte e encosto-me de novo. Ele apercebe-se e segura-me. Agarra em mim ao colo e vai pôr-me no quarto. Daí a momentos volta com o meu venerado chá verde. Provo-o e denoto um toque hediondo a mel.
- Estavas muito fraca e gastas-te muita energia.
- Estas a ser muito querido, ‘brigada. -digo, com um falso e convincente sorriso agradecido. O chá estava uma merda...


photo by luc selen

terça-feira, outubro 05, 2004

Tormento

A manha estava fria, pelo que me deixei ficar na cama. Era uma daquelas alvoradas, branca, simplista e melancólica, totalmente propicia à continuação dos maus sonhos! …Sabia que esses pesadelos dolorosos não me iriam abandonar, mas pensar neles e em como me livrar deles era algo inútil que não conseguiria deixar de fazer…

sábado, outubro 02, 2004

Ensaio2: Pedofilia

É um ultraje o facto de Carlos Cruz ter aparecido no jornal da noite da SIC. O homenzinho não devia ter tempo de antena nem p'a dizer "Eu quero mandar um beijinho minha mãe..."
Então e eu, saí-me bem? Comentário mais tendencioso só nos jornais da TVI, nos jogos dos "grandes" com os "pequenos", ou na imprensa escrita foleira (de que é exemplo o 24Horas).

Ensaio: Presidenciais "amaricanas"

O Bush é um palhaço (pelo menos é isso que toda a santa alma diz!)
Então?
Sai-me bem na primeira exclamação profunda?