segunda-feira, setembro 20, 2004

Taponis faltis



-“ALGUEM!? ALGUEM TEM UM TAMPÂO?!!...Não precisa ser chanel…basta um daqueles brancos, simples, que se vendem nos supermercados…”
Reconheci aquela voz no instante em que foram proferidas as primeiras palavras (oh meu deus). Levantei o rabo da sanita, puxei a tanga, desci o vestido e sai cabine fora tal qual uma perdida…
No enorme lavatório comum encontrava-se a Lu, sentada de perna cruzada, no meio de gotículas e salpicos, com um copo de champanhe vazio na mão e um sorriso de orelha a orelha. Percebi que (afinal) não estava bêbeda, pelo que, sorri tambem e retorqui:
-Encontraste-me!! Mas então…Oh filha, para que queres tu uma porra de um tampão?
Ela atirou o cabelo para trás com um exagerado gesto teatral e respondeu divertida:
-Para estagnar a hemorragia cerebral destes pobres idiotas!!
-Ahhhh….tens razão querida, esta puta desta festa está a surtir efeitos de laxante em mim...- disse eu enquanto puxava a cauda do vestido e me sentava a seu lado.
Inevitavelmente senti a humidade da água no rabo, inevitavelmente senti o meu vestido de crepe das índias enrugar ainda mais…inacreditavelmente não me incomodei, em vez de saltar dali e poupar uns valentes euros em limpeza a seco, agarrei na pochette, saquei um cigarro, acendi-o e estendi-o à minha cúmplice amiga.
Depois?
Bem! Depois apercebi-me de que toda a cena fora presenciada por 5 galinhas fúteis e “liftingadas”, que continuavam ali especadas a um canto, reprovando mentalmente o nosso comportamento e exprimindo falsos tiques snobs acompanhados de murmúrios injuriosos a nosso respeito. Não me contive:
-Oh por favor, querem parar de cacarejar?! chô chô…queremos fumar esta merda em paz!



give me a light!! give me a damn light!!!