segunda-feira, setembro 27, 2004

Dança voluptuosa



Apercebo-me que anoiteceu pela penumbra do quarto só quebrada pela iluminação fraca da rua. Digo-o enquanto olho o seu rosto mal iluminado e os olhos que me fitam. Passamos a tarde naquele quarto a conversarmos nus, a sentir-nos e a conhecer-nos.
Despiu-me antes de me tocar…
Começa a massajar-me e semicerro os olhos, ébria de volúpia. O movimento das suas mãos a tactear o meu corpo deixam-me estonteada e na busca de sanidade fixo as nossas sombras na parede. Sigo as linhas dos nossos corpos que se diluem num ondular de ritmo crescente pelo alvoroço. Soltamos bramidos que se tornam brados e desfalecemos.
Afaga-me o rosto, brinca com os meus mamilos e murmura: “Amo-te.”.
-Centras sempre as tuas histórias em ti, naquilo que sentes...
-É um princípio meu. Eu digo o que sinto e procuro não expôr as pessoas.