quarta-feira, julho 28, 2004

fundo carteira de marca

Quando era ainda uma adolescente li algures que valia muito mais poupar dinheiro e comprar uma carteira como a Vuitton do que comprar uma Prada, pois esta passa de moda enquanto que a Vuitton é uma carteira para a vida. Dizia ainda que se poupasse o dinheiro da sobremesa durante dois anos conseguiria juntar o dinheiro para a Vuitton. Assim fiz. Criei o fundo carteira de marca, mas para ser mais rápido, não só não comia sobremesa como também não almoçava, e a minha carteira ainda aqui está, como nova!

sexta-feira, julho 23, 2004

de volta ao Romances

Destino: Hotel Sirenuse em Positano, Itália.
Objectivo: Pensar. Nada como ferias para assentar ideias.
Na mala levo o portátil para escrever o que me passa pela alma. Ainda não percebo esta necessidade estúpida que tenho de pensar por escrito, ainda mais pensamentos sem nexo ou utilidade. Levo também uma obsessão pela solidão e pelo sentimento de não conhecer nada nem ninguém, de estar ligada a Portugal apenas através da net.
Fartei-me passado uma semana. Senti falta das compras com a Bo, das conversas vazias das festas, do barulho das luzes, da sede e enxaqueca da ressaca de martinis, de andar a snifar nas áreas vip…
Sozinha num restaurante com vista para o mar, a olhar para um prato de peixe, eu resolvi voltar e parar de me queixar da minha existência. Voltei nessa tarde para Roma e por sorte tinha um voo para Lisboa daí a duas horas. Rondei as lojas e embarquei. Ao meu lado no voo, viajava um senhor simpático, que reconheci das revistas económicas.
O guccigucci tem umas fabricazitas de pasta de papel, é cinquentão e é o meu novo amor. Estamos tão apaixonadíssimos que não nos conseguimos largar.

 

quinta-feira, julho 22, 2004

Cuspir futilidade

Quando a Coco Chanel declarou que a maior parte das noites ficava em casa para evitar más conversas e mau vinho, tinha razão. 

Toda a gente anseia entrar no interessantíssimo ambiente burguês da alta-roda lisboeta. Toda a gente mendiga por um insignificante convite cor-de-rosa…Toda a gente “mata” por um vestido chiquíssimo da Loja das Neias. E no final? Qual a recompensa? Três horas de prazer na feira das vaidades entre intriga e critica despropositada? Ridículo…Teriam mais dignidade se ficassem em casa numa privada e intima sessão de masturbação psicológica. 

 
Bodikea

domingo, julho 18, 2004

A Bo em Vilar de mouros

Espero-a na estação de comboios acompanhada pelo D.W., chiquíssimo e tia como sempre.
-Porque é que aquela anormal não trás o carro? - Refilo.
-Sabes como são os homens com os carros desportivos, era difícil ela conseguir trazê-lo. –ya… E naquele dia em que ele o levou p’a marina de Vilamoura e tu lhe mandas-te aquela boca ”trazes isso para aqui?" e ele ficou fodido?
Rimo-nos mas o D.W. fica apreensivo. Tem um fraquito pelo gajo da Bo.
Chega o comboio e dele saem amontoados de gente colorida, alegre, expectante. No meio reconheço-a. Vestido preto, óculos escuros, salto agulha, pouchette Prada e um trólei Luis Vuitton arrastado atrás.
-É parva!! É parva!! Que roupa é aquela? O que é que ela fez com a roupa que lhe deixei??
O D.W. olha para mim e encolhe os ombros. – Mas é uma parva com estilo.