quarta-feira, maio 12, 2004

Lu

Despi-me pondo a descoberto o corpo de mulher e os modos de miúda. Saltei para a cama e agarrei a almofada da colcha de linho, apertei-a em jeito de ombro amigo para chorar e proteger e reconfortar, agarrei-a como a criança agarra o peluche. Uma estúpida almofada. Não gosto de aparecer desta forma: insegura frágil, fraca; mas fechada na liberdade que o quarto, noite e solidão me dão, sou só pensamento e emoção e sentidos mas não imagem. Revelo insegurança, medo, traços infantis. Revelo-me e sou a única testemunha.