segunda-feira, maio 24, 2004

Ele era tão alto...

Eu tinha 8 anos e ele era tão alto...Namorado da minha catequista, costumava ir buscá-la à igreja.
Reencontro-o casado, a dar biberão a uma criança rodeada de folhos cor-de-rosa, aquando das entradas de um casamento de dois filhos da minha terra natal. A minha madrinha conversa comigo e ele, apesar de casado, observa-a. Cabrãozito!
Desgosto particularmente deste tipo de encontros sociais, mas gosto da miúda e já não vejo a mamã e o papá há muito. Agora arrependo-me de ter vindo. Apesar dos laços de sangue, dou-me taanto com esta gente… e por isso fujo das conversas idiotas de pessoas que tentam saber pormenores da minha vida indo para a pista de dança.
Começa uma dança de pares e olho desiludida para o cenário. Sou ímpar… Tocam-me no braço. É ele. Cheio de charme, olha-me nos olhos enquanto me pergunta se quero dançar.
Não era a minha madrinha que ele olhava.
É difícil de explicar... a realização, o contentamento, a lisonja que senti ao ser guiada por aquele amor de infância. Ele é tão alto...