O que é um trolha?
Eu tinha 8 anos e ele era tão alto...Namorado da minha catequista, costumava ir buscá-la à igreja.
O sitio do costume está infestado de pseudo coquettes arrogantes. Sinto-me tonta com o perfume de puta que empesta o ar, portanto, levanto-me rapidamente do puff e corro meia desnorteada até aos lavabos. Pelo caminho sou esbarrada por uma louríssima descolorada...Agora topem-me a lata desta tipa. Puxa-me a cara, espeta-me um daqueles detestáveis beijos repimpados e diz: “B.o, querida, queria convidá-la para o meu casamento”. Olho para ela meia esverdeada, meia atónita: “Desculpe?!! Eu conheço-a?”. Ao que ela responde toda entusiasta: “Estivemos juntas em Ibiza, foi o máximo!!”...Oh! Coloco a mão em frente da boca a ver se reprimia o vómito perante aquele patchouli detestável e disse: “Não me estará a confundir?! Eu não visito Ibiza desde que Napoleão Bonaparte se auto coroou Imperador! Agora se me dá licença...Desculpe???? Vai sair da PORRA da minha frente, ou quer que lhe vomite em cima do vestido patético da Zara!???”
Despi-me pondo a descoberto o corpo de mulher e os modos de miúda. Saltei para a cama e agarrei a almofada da colcha de linho, apertei-a em jeito de ombro amigo para chorar e proteger e reconfortar, agarrei-a como a criança agarra o peluche. Uma estúpida almofada. Não gosto de aparecer desta forma: insegura frágil, fraca; mas fechada na liberdade que o quarto, noite e solidão me dão, sou só pensamento e emoção e sentidos mas não imagem. Revelo insegurança, medo, traços infantis. Revelo-me e sou a única testemunha.