terça-feira, abril 20, 2004

verdadeiro romance de faca e alguidar

“Percebi que estavas cá em casa quando vi o teu fiat uno carmesim estacionado em viés junto à soleira do meu prédio.
Subi as escadas nervosa e apreensiva comos motivos que te moviam até mim desta vez!...Dinheiro, só podia ser a merda do dinheiro novamente, sempre atolado em dividas confusas entre dealrs, prostitutas e pós miraculosos.
Mas desta vez…desta vez não levas nada, percebes? Desaparece! Prostitui-te, rouba…faz o que quiseres...mas não me envolvas nos teus caminhos pútridos.
Oh Zé, se a mãe te visse assim, andrógino, esquelético, decadente…quase alienado do mundo…E essa merda de andar plo “Portas largas” a cravar cigarros, pra depois ir dar o cu numa qualquer esquina do Bairro Alto...Fdx! Deplorável, não tens juízo irrisório?!”

Preparei o discurso todo enquanto subia as escadas. Subi-as propositadamente para adiar o confronto…o elevador..demasiado rápido..demasiado penoso, mais doloroso que os malditos saltos que aguentei degrau a degrau.
Quando entrei na sala não fui capaz de articular nenhuma das palavras que preparara. Caí aos seus pés, prostrada e deixei que as minhas lágrimas se misturassem com o sangue que escorria pelas chagas espalhadas em todo o seu rosto…em todo o seu corpo..em todo o seu ser…


posted by Bo

segunda-feira, abril 19, 2004

have i told u that i love u?

domingo, abril 04, 2004

Volúpia selvática em flashes eróticos

Desci o passeio torto e esburacado com enorme dificuldade, os meus saltos finíssimos e altíssimos enfiavam-se nos enormes buracos e obrigavam-me a balançar como uma qualquer bêbeda depravada.
Atrás de mim seguia ele, calado e extasiado no seu sonho maníaco-depressivo, tentando, talvez, perceber um pouco da natura selvajaria por nós praticada e difundida naquele cubicular quarto de motel barateio.

Sorrio, sozinha, lembrando a copula animalesca de nossos corpos desnudos, despudicos e descarados…Revejo o raiar de loucura, como focagem à falcão predador, nos seus olhos cor-de-mel a arder…Ouço de novo o meu grito de garça-real, em 35 notas agudas e graves de autentico prazer expressado…resumindo: Revisito a volúpia selvática em flashes eróticos enquanto continuo a descer a maldita calçada à portuguesa!