sábado, março 27, 2004

OUTRO ESCANDALO DO GÉNERO: “PIPINHA A GAROTA-DO-ESTINTOR-DOIRADO”… OU ODE A GIL V VICENTE

É ver-me por aí nos cantos, espartilhada num soberbo Dior, podre de bêbeda, esvaindo-me em lágrimas, agarrando o meu “Moet” e gritando dramática:
- Oh de mim, triste enjeitada…perdida, largada nesta mísera pardieira lisboeta!
Valem-me os fieis amigos das longas cruzadas por “villas”* mais ou menos conhecidas, nestas festas menos ou mais impessoais…Lá vem ele, andrógino, Sir D.W. (de Windor), “el cabalero” trôpego da nossa decadente soirée.
- Vinde donzela que vos salvarei deste martírio diabólico, vinde antes que nos invadam os cabrões (perdão!) fanfarrões jornalistas…

quarta-feira, março 24, 2004

narcisismo

Acabo de sair do banho e vou descalça para o quarto, enrolada apenas numa toalha que atiro para cima da cama.
Ouço-te na cozinha (o que andas a partir?). Visto umas cuecas rosa pálido (lindas, pequenas e opacas) e vou-me pentear para a frente do espelho. Vejo os meus caracóis compridos e molhados a descaírem pelo meu peito e a recobrirem-me os seios. Não posso deixar de divertir neste momento de narcisismo e continuo a pentear-me muito depois do cabelo estar desembaraçado.
Olho para a porta e toda eu tremo. Ele está parado, a observar-me.
- Assustaste-me!!
- Obrigado!
- Não… não estava à espera… - E faço beicinho.
Sorri e agarra-me pela cinta desnuda.

quinta-feira, março 18, 2004

autor desconhecido

quarta-feira, março 17, 2004

O Bilhete

Recebi o teu bilhetinho ridículo e li-o me voz alta para que a humanidade regojizasse com a tua estupidez. Gargalhei em cada parágrafo piegas, em cada vírgula chorosa e lamexas inundada de compaixão. Em cada metáfora sórdida, suja e fácil. Duvidei dos teus sentimentos hiperbolizados, fantasiados, desenquadrados. Do meu redondo que para ti é quadrado, do meu claro que para ti é escuro. Atentei na tua caligrafia, atabalhoada e insegura, do esforço que fazes para ser original, mas que culmina sempre no pior dos "clichés" (obrigada, Lu), qual romance, qual novela.
Ri. Eu e a Lu gargalhámos estridentemente pela rua e os transeuntes riram também. Da nossa figura? Talvez... De ti? De certeza!
Tenho-o aqui guardado no bolso. É uma espécie de terapia para quando me falta o humor. Não há como não resistir!


para a A.



(parece que a moda das dedicatórias pegou)

terça-feira, março 16, 2004

paz

Acordo com a claridade cálida que teimosamente entra pelas frestas das portadas de madeira, e enrompe pelas cortinas. Lá fora deve estar frio, mas por debaixo dos cobertores os nossos corpos seminus, lânguidos, aquecem-se.
Tento captar, absorver, cada sensação para memória futura… O calor, o teu braço meigo a agarrar-me pelo ventre e as tuas pernas a recobrirem as minhas, a tua barba no meu ombro…
Dormes, e a tua respiração discreta no meu pescoço tranquiliza-me. Afago-te o cabelo e recosto-me em ti.

para o R.

sexta-feira, março 12, 2004

miss van: uma imagem de marca

segunda-feira, março 08, 2004

Tu m'amuses...idiote!

Ele estava a fazer-me esperar. Diverte-o a minha persistência em não “arredar pé”, mal sabe que a mim me diverte a sua vingança pueril; aposto que está neste momento no parque de estacionamento todo sorrisos com a perspectiva de me ter sozinha e irritada; sabem o que é? Complexo de dominado frustrado.

Às vezes rebolamos pela cama em verdadeiras batalhas tribais, eu defendo a minha “raça”, ele defende o seu “sangue”, ambos defendemos egocêntricos o nosso prazer e o nosso êxtase. Palavra puxa gesto, gesto puxa gritos, gritos puxam violência…e quando dou por mim estou espremida contra a tábua do topo da cama, com o friso cravado nas costas e as mãos amarradas nos seus punhos. É um selvagem, em dez minutos é capaz de denegrir todo o meu corpo, apenas no impulso sôfrego de comer cada célula da minha pele… Eu? É claro que não me submeto, mal lhe passa a energia do “Isostar”, agarro-o, arremesso-o todo na boca e amanso-o com meia dúzia de “festinhas”…Depois? Depois é vê-lo. Parece uma menina a gemer, sabem aquele famosíssimo falsete dos “Bee Gees”? É parecido!

sexta-feira, março 05, 2004

A minha cabeça lateja num pulsar ritmado e gritante, à minha volta vejo somente branco cálido, como se acabasse de cair num copo de leite húmido, gelado e gigantesco.
Tirei a luva para escrever estas notas, a fibra esponjosa roçava na caneta tornando patético o meu desespero tentando mantê-la firme. Mas começo a arrepender-me de tal, porra, sou mesmo inconsequente, ainda me estala o verniz das unhas com a incidência das malditas temperaturas baixas nas minhas mãozinhas de fada, e onde raio é que eu vou arranjar uma manicura nesta serra?
Bem…o Nelson continua a dar saltos para o infinito, é um louco, desta vez resolveu armar-se em radical, mandou os esquis p’ró caneco, arranjou uma prancha grafitada p’lo Karl Lagerfeld para Chanel. Pronto…lá anda ele todo pueril…gosta mais disto que de cocktails...enfim!

- Bo? Onde é que vai querida? Venha cá, quero apresentar-lhe o RP da estância.
Era só o que me faltava, vem-me este agora criar relações com o proletariado importantiiiiiiiiiiiiiissimo do sítio, (oh!!!) tão social o meu “tio”.
- Estás doido…vou é embora aquecer o corpo! - disse eu enfadada
- Não vais não!
Atirou-se sobre mim num impulso atormentado de loucura, jogou-me no chão, e obrigou-me a chafurdar plo amontoado de terra, neve e erva….por instantes senti humidade no pescoço e na nuca, por instantes senti a infantilidade que nele adoro!


quarta-feira, março 03, 2004

linda