segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Pr'a um Amigo

A mesma dor de cabeça que me tem acompanhado nos últimos dias, obrigou-me a parar e reflectir. Depois de uma noite que adivinhou especialmente triste e complicada, acordei com a sensação que precisava de 5 minutos para arrumar as ideias e organizar-me.
A caixa de mensagens do telemóvel estava cheia. Uns perguntavam se ainda demorava, outros pediam um telefonema urgente. “Que dia é hoje, afinal?”, “Bolas, já é uma da tarde…”.
Mas que se passou afinal? Acordei com a cara amassada e os olhos inchados. Ri-me ao encontrar semelhante figura no espelho. Nem o duche ajudou a melhorar o meu aspecto.
Arejei o quarto, enfiei-me num roupão turco e peguei no JN (de ontem) e fui para o terraço. A cabeça dói, continua a doer de forma enervante.
Ontem, o Henrique disse-me as coisas que precisava ouvir. Passou horas, ouvindo-me pacientemente, rodopiando na cadeira da secretária. Concordou comigo, ando estranha. Ando parada.
Disse-lhe que se não fosse a nossa situação, não o deixaria escapar-se-me. O Henrique é um jovem adulto que atura uma namorada neurótica e ciumenta porque… gosta dela.
O Henrique gosta de mim (presumo) porque não conhece mais nenhuma rapariga com as minhas teorias. Ri-se porque acabo as frases que ele começa, porque por vezes “pareço um gajo a pensar”.
Já variadíssimas vezes lhe disse que o considero meu “amigo, irmão, amante”. A namorada faz-lhe fitas…
Ontem tardava em adormecer, estava gelada. O Henrique chegou ao quarto sem fazer barulho (ele tem a minha chave). Ouviu-me, mais uma vez. Sossegou-me. Foi-se embora do mesmo modo que chegou, sem fazer barulho. Quando acordei a dor de cabeça continuava lá.
Obrigada, Henrique. Não sei que desculpa deste à tua namorada. Com certeza disseste-lhe de novo que foste consolar aquela tua amiga. A tal que gosta da “outra”. A tal que não constitui nenhum “perigo”. Até imagino o beijo que lhe deste.