domingo, fevereiro 08, 2004

Noite

O peso dos cobertores e edredons faz-me lembrar a lenda de Atlas. Respirar é difícil, tal o peso que se abate sobre mim.
Fecho os olhos e tento adormecer. A cabeça roda e com ela todo o quarto. Um zunido distante irrita-me, faz-me voltar na cama com vontade de arrancar as orelhas.
Dormes, ou finges, lá no fundo… bem longe de mim. Porquê? Porque não te deixas tocar?
Adormeço…
Acordo.
O calor agonia, o ar falta…
Estás lá. Quieta, imóvel. Tão perto. No entanto, quase inalcançável, inatingível…
Sinto o teu respirar cadenciado. Estás viva, estás mesmo aqui.
Podia aproximar-me um pouco mais. Não o notarias. Podia afastar o cabelo da tua face e tocar-lhe. Podia tactear os ombros desnudos e ir descendo até aos teus seios quentes, firmes, doces, volumosos seguindo o compasso sereno da tua respiração.
Podia rasgar-te a roupa num acesso de loucura! Ver-te acordar sobressaltada… o temor na tua cara!
Prender-te, amarrar-te, aprisionar-te! Beijar, chupar, morder cada pedaço do teu corpo.
Abafar-te os gritos, os suspiros, os gemidos…
Podia fazer-te minha de qualquer maneira…
Bastava que quisesse. Bastava que quisesses.