segunda-feira, fevereiro 02, 2004

I

Sinto o bater acelerado do meu coração, sinto um latejar estranho dentro de mim, como se ele ainda continuasse aquele vai e vem, e uma dor fininha, forte, por ele ter rompido uma parte de mim.
Mexo-me e sinto o lençol húmido, do meu sangue ou das suas entranhas (a sua única decência: não o fez dentro de mim).
Olho para ele e sinto nojo. Nojo pelo seu corpo coberto de pelos, pela sua barriga e pela sua flacidez ridícula. Nojo pelo que fizemos. Nojo de mim que deixei que ele me conspurcasse, porque o procurei e até incentivei.
Nojo. Nojo. Nojo.
Só quero sair daqui e nunca mais olhar a cara dele.


by Lena
(pintura:Ta Bouche de Toulouse Lautrec)