sábado, fevereiro 28, 2004

Actriz

Os dias passam iguais… ou pouco diferentes. Deixaste um pedacinho de saudade, uma nostalgia tão amarga quanto doce.
Regresso a casa apática, reentro no quarto e volto a sentir a tua presença nas minhas coisas. Nos livros que remexeste, nas gavetas que abriste, tentativa de compreender. Tentativa de absorveres tudo o que é meu e desconheces.
Tu sabe-lo. Olhas no fundo dos meus olhos desvendando o que não te posso esconder. Rimos dos papéis que decorei, dos cenários que pintei em paredes de giz.
Tu sabe-lo. É perigoso sermos felizes. A ti não te escondo o que sou. Por ti não preciso de pintar-me… reinventar-me. Despiste-me muito antes de me tocares. Percebeste-me muito antes de entrares na minha vida.
Agora sei que já lá vais longe que, quem sabe, até recordas com a mesma ternura que eu a noite, o frio, o choro, a volúpia contida do beijo que nos prometemos.
Fico feliz… Ensinei-te a não andar mais com os pés no chão.
Vais diferente, sei que voltas.