segunda-feira, janeiro 26, 2004

Desabafo

Há alturas em que, por força das circunstâncias, me vejo impelida a meter-me em grandes aventuras. Há alturas em que páro por alguns minutos e reflito naquilo que, sem dar conta, vejo-me obrigada a esconder. Há alturas em que o que escondo é evidente... para mim e para o resto da Humanidade. Há alturas em que invejo o alheio, a miúdinha que conheço do café da esquina, que considera que a vida faz o maior dos sentidos lá porque vive com o papá, a mamã, o(a) mano(a), o cãozinho totó, tem um namorado patético... acampa com os papás em Agosto num parque de campismo decrépito algures no litoral... duh!
Há alturas em que me interrogo porque é que para parecermos satisfeitos, temos todos de ter as mesmas coisas. Há alturas em que gostava de ser feliz, mas de outra maneira e há alturas em que sei que o posso ser. Há alturas em que, a brincar, digo todas as verdades.
E há outras alturas em que vejo as oportunidades passar. Quando dou por mim estou de volta a casa, sentada ao fundo do autocarro a chorar copiosamente. E essa é altura em que alguém se aproxima e pergunta se está tudo bem.
Há alturas em que sonho voltar a beijar-te e há outras alturas em que o tempo pára quando estou contigo.