sexta-feira, outubro 31, 2003

Peças de um puzzle - 2ª peça

Nunca fui uma típica e sonsa puritana. Gosto de sexo. Para mim é a melhor actividade lúdica. Tenho mente aberta a novas experiências. Sou promiscua. Depravada. Mas não admito que hipócritas me rotulem de ordinària.


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quinta-feira, outubro 30, 2003

uma imagem pela luta contra o cancro da mama


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quarta-feira, outubro 29, 2003

Fumo




Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outono: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...




:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: para o querido que está longe :::

terça-feira, outubro 28, 2003

Gostava de escrever coisas...

Gostava de escrever coisas bonitas em folhas de papel tinbrado, gravar o meu monograma e sair para a rua em jeitos reivindicativos distribuindo cada folha acompanhada de um sorriso amistoso e de um “bom dia” entusiasta.
Escrever só por escrever, distribuir só por distribuir, espalhando uma mensagem de arte e optimismo aqueles que passam só por passar, apresados sabe-se lá para onde e para quê! Nem mesmo eles sabem...
...
Gostava nada! Achas que eu, uma egoísta crónica e uma capitalista irremediável ia sucumbir aos desencantos das “causas justas” e das roupas esfarrapadas? Por favor...estava só a tender ao meu lado (quase inexistente) poético e romântico como exercício a um blog comovente.

segunda-feira, outubro 27, 2003

Peças de um puzzle - 1ª peça

Acho que começou na queima das fitas de Coimbra, tinha eu 18 anos. Estava quase a acabar o primeiro ano de um curso promissor que abominava e tinha o porta moedas vazio. Foi num concerto de hip-hop e eu tinha à minha frente um grupo de pitas de classe media alta de aparência colorida e sebosa. Cantavam letras que apregoavam as dificuldades do gueto como se nele vivessem e as sentissem na pele, enquanto trajavam roupas de marcas que me eram indiferentes tanto pelo preço como pelo mau gosto. Enraivecida com a atitude indiferente à sorte que as pitas ostentavam e enjoada com a musica com que teimava em não me identificar, saí apressada do lamaçal e fui para casa estudar. Não queria saber de queima, de bebida, de cortejo, de noites. Não tinha dinheiro para isso de qualquer forma. O importante é o futuro. Ter um emprego, seja ele qual for, que dê dinheiro. Eu nem tinha um gosto especial por alguma profissão... aquela dar-me-ía o tempo livre para algo que gostasse mesmo de fazer e o dinheiro para isso. Mas antes eram urgentes as boas notas.


domingo, outubro 26, 2003

Frio


Acordo com frio no sofá do salão. O livro continua entreaberto por cima de mim e a aparelhagem a continua a passar ciclicamente o movimento dos Madredeus. Desligo-o e deixo o livro no sofá.
Está frio. ..
Não me apetece dormir sozinha naquele quarto grande e austero e subo as escadas mecanicamente até ao quarto da Bo. Hoje estamos sozinhas... Ela dorme como uma boneca com o cabelo loiro espalhado a emoldurar a cara, iluminada pela luz doirada do candeeiro e pelos lençóis de cetim bordeaux. Aproximo-me enquanto me dispo e deito-me a seu lado. Sinto o calor e o perfume do seu corpo. Aproximo-me de forma a que as nossas pernas toquem... É suave e quentinha... confortável. Adormeço assim, serena e segura.

sexta-feira, outubro 24, 2003

Calcinha creme...


Calcinha creme, sapatinho e camisa branca. Ficava-lhe muito bem... dava-lhe ar de homem interessante e desinteressado. Há pessoas que gostam de atenção e assentimento, outras gostam de levar cortes. Eu reajo consoante situações e pessoas. Ora me chama a atenção alguém que parece babar por mim, ora caio por quem nem me vê. Ele sempre pareceu desinteressado, e sempre me atraiu por isso. Digo mais, entrou para o meu imaginário à custa disso. Desta vez encontrei-o numa festa e surpreendeu-me com um largo e simpático sorriso. Trazia um whisky e puxou um charuto.
- Deixa-me experimentar.
- O quê? Charuto? - Deu-mo para a mão junto com o copo. - Não travas. Deixa o fumo na boca. E depois liberta-o e prova o whisky. Tens que lhe provar o sabor.
Provar o sabor... Apetecia-me provar o sabor, mas não do charuto ou do whisky. Olhei-o nos olhos, atentos à minha reacção pela primeira lufada, e desconcentrei-me. Tossi. Sorriu.
Com a desculpa de aborrecimento pelo ambiente pedi-lhe que me levasse a casa. Eu que não gosto de whisky e que também não gostei do charuto vos digo: prefiro-os àquele gajo. Foi uma das piores noites de sexo da minha vida.

quinta-feira, outubro 23, 2003

Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...



Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


terça-feira, outubro 21, 2003

Os homens são tão estranhos

Costumavamos dançar um tango antes de cairmos na cama e na luxuria. Era uma espécie de ritual erótico desenvolvido ao longo de anos de encontros furtivoros e rápidos.
Uma vez, no final de cada mes, o meu "financiador"(da uni) descia dos latifundios "dourados" do Douro e mergulhava nos lençois "cor-de-vinho" da minha cama de dorsel.
Dizia á companheira de todos os dias que ia é empresa vidreira de Lisboa verificar a produção e ligava de plena auto-estrada nervoso e afoito: "Amor, estou aí em tres horas!".
Jantamos no "cantinho" do Bairro alto, subimos ás tascas de Alfama para disfrutar dos fados pesados das almas e "corremos" devagar para casa...como que...aproveitando os instantes preliminares numa estranha constante sedução desnecessaria!
Em casa, dançamos um tango espanhol...foi ele que me ensinou, costumava dizer que era bom pegar-me as costas e...que era um desperdicio: "...umas pernas tão longas, tão esbeltas, sem musicalidade..."
Depois?Fazia uma transferencia...e...mandava postal das colinas:" Para a universidade"!



Nunca percebi bem...porque se dava ao luxo de perder tempo com o tango ou com os jantares...Deve ser uma espécie d orgulho masculino, como uma auto-ilusão...talvez...o ajude a reforçar a ideia de que...~me seduz realmente...e...que não é preciso pagar para me ter!!!!
Estranho!
Eu alinho!Não quero perder a bolsa!

Parecenças

Ao trincar uma alga (ao saborea-la orgasmicamente...) tive um flash: isto é mesmo parecido com cartilagens...




Gosto.

A mim nunca me dizem que sou parecida com alguém...

quinta-feira, outubro 16, 2003

Mas como agora sou loura...dizem k é mais cameron...

uma vez disseram-me que era parecida com a penelope cruz

quarta-feira, outubro 15, 2003

o meu primeiro flirt

Era ainda noite, e ali à  beira-mar estávamos apenas a ser iluminados pelas luzes da estrada. Lá fora estava frio e os vidros embaciaram depressa. Lá dentro estava o calor de uma atração que fui incapaz de conter. Beijei-o afoita e afoitos satisfizemos os desejos do corpo. Adormeci nua, deitada no banco de trás, com ele a falar baixinho a meu lado enquanto me mexia no cabelo e me acariciava as costas numa atitude confusa, carinhosa e um pouco contemplativa. Quando acordei passado pouco tempo, o sol tinha acabado de nascer e umas gaivotas barulhentas sobrevoavam o carro, um cenário bonito demais para o turbilhão de sentimentos que me assolavam... o meu primeiro flirt.

segunda-feira, outubro 13, 2003

Volúpia

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade...
A nuvem que arrastou o vento norte...
- Meu corpo! Trago nele um vento forte:
Meus beijos de volúpia e maldade!



Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...


sexta-feira, outubro 10, 2003

Odeio collants

São desconfortáveis, ridículos e difíceis de tirar.

quinta-feira, outubro 09, 2003

Conversas

Lu: Só o preço daquele hotel... eu fiquei-lhe mais cara do que uma prostituta.
Bo: Quanto é que leva uma prostituta?
Lu: Não sei... mas não deve ser tanto.
Bo: Pois... mas também era só uma vez, e contigo foi a noite toda.

fellatio

Desci as escadas agarrando firmemente as tres malas e o casaco de pelo. Peguei no telefone, chamei um taxi e sentei-me no sofá...Lá em cima, o P.P. continuava a discutir com a mulher...Meu Deus... que cena mais deprimente, eu, ele, um fellatio, e a porra da enrugada a entrar por ali a dentro, abrindo as garimpas tal qual uma garça desmamada!!
Não aguentei mais, levantei-me de um pulo, corri até à cozinha e espingardei colérica para cima da besta da empregada: "Filha da p*ta do cara**o. Que é qu pensas que vais ganhar com esta m*rda? Uma gorja? ... Uma gorja por te chibares à patroa? ... Pff!! Ganha é um pontapé no cu! Serrana ignorante!".

sexta-feira, outubro 03, 2003

Conversas:

Ao telefone
-Lu... tu estas a chorar? Eu não acredito.... tu estas a chorar? Estas a chorar ??
-Estou...
-Não acredito! Nem pareces uma criação minha!!
-Se eu fosse uma criação tua não me apaixonava.

Opções - O dia em que acordei no hospital

Abri os olhos e vi apenas um quarto que não era o meu. Estava muito pouco iluminado, e eu via tudo um bocado desfocado. Sentei-me na cama e trémula tirei um fio que me estava a magoar o braço. Levantei-me e tentei equilibrar-me para chegar à luz que entrava pela porta. Abri-a e saí. Vi um corredor baixo e muito comprido, cheio de portas de ambos os lados. Senti-me muito tonta e encostei-me à parede. Deixei-me cair e fiquei ali.
Quando voltei a acordar estava no mesmo quarto, a Bo estava ao meu lado e o D.W. também.
-Ó atrasada!! – Grita a Bo. – Que é essa merda de andar a beber leite estragado?
-Hã? – Digo eu.
-Ó Lu, tu realmente.. Não lhe sentiste o sabor?
-Duuuh!! Tu achas que ela fez sem querer? A festa do P.P. é daqui a três dias. Tipo... já viste os quilos que ela vai perder com isto?
Viro-lhes as costas. – Deixem-me em paz. Tragam-me uma roupa decente quando me derem alta.

quinta-feira, outubro 02, 2003

percebi

Foi muito estranho. Sozinhas, despimo-nos por conforto e pela sensualidade de estar nua em casa. Na penumbra, deitadas na minha cama, falámos na experiência, e na falta de experiência de cada uma com os homens. Começou quando eu lhe estava a ensinar a beijar. "São sempre os mesmos movimentos de lingua. Tanto no beijo, como no lamber a orelha... em tudo. Sente." Beijei-lhe o pescoço, e comecei a trincar-lhe e lamber-lhe a orelha. Senti-a arrepiar-se. "Nas caricias é o mesmo. Passas ora com a língua, ora com os lábios" Lambi-lhe o umbigo e acelerou-nos a respiração. Senti receio, tal como ela. Paramos. Agora percebo os homens.... acariciar uma mulher é muito diferente de acariciar um homem. É bom acariciar uma mulher. O corpo é mais suave, mais delicado. Falámos de trivialidades. Agarrei no pincel largo do blush. "Isto deve saber bem". Sorriu. Passei suavemente pela sua barriga, e atrevi-me a brincar com os mamilos. Os seus gemidos levaram-me a ataca-los com a boca. Percebi a fixação dos homens com os mamilos. Sentir os mamilos de uma mulher por entre os nossos labios, brincar com eles com a lingua e ouvir gemidos de prazer...
Ficámos por ali, mas não é anti-natura e soube bem.