terça-feira, setembro 30, 2003

Cama de dorsel



Atiro-me para o meio daquela enorme cama de dorsel. Abro um nicho no meio doa almofadões, recosto o pescoço confortavelmente e tiro o roupão turco...Fico então despida, no meio de uma manta polar, enrolada ora no cobertor moher, ora no edredon de caxemira.
- Pareces uma boneca- diz ele calammente enquanto mexe o chá preto, comodamente sentado na poltrona vitoriana- Olha para ti, deitada numa malgama de tecido, ancostada a um nunca mais acabar de almofadas, cobrindo cuidadosamente as ancas com a manta, mas deixando sujestivamente descoberto o peito e os seios...como se em ti ainda existisse um je ne sais quoi de inocencia pura...como se fosses demasiado púdica, tão púdica que não conseguisses mostrar as formas arredondadas e cálidas do teu corpo de menina-mulher...Podia mimar-te a noite toda apenas com o olhar, podia observar-te a noite toda sem sentir aborrecimento ou fadiga...my preciouse...Só te denuncia essa maldita nódoa negra no peito, denuncia as tuas noites de luxuria selváticas, como...
- Oh, por favor, não digas disparates!!!- digo eu enfastiada.