quarta-feira, julho 09, 2003

repugnância

O casamento é o evento social que mais abomino.
Não me imagino casada, apesar do desgosto da minha avó. Os meus pais não são um exemplo de casal feliz, encontram-se inúmeros casos de fracassos conjugais e mesmo os que aparentam terem uma relação saudável muitas vezes não o são. Por exemplo, quando estava a sair do último casamento a que fui encontrei um advogado de renome e a mulher, cuja família é amiga da minha. Olhei as suas mãos entrelaçadas e o aspecto de casalinho feliz aos sorrisinhos e abraços.
- Lu, então já vai? - e aproximaram-se.- Como estão?
- Bem, está deslumbrante! A Inglaterra fez-lhe bem…
- Gentileza vossa…
Sorri enquanto reparava no olhar atento dele.
Não suporto estas conversas de ocasião e para as evitar costumo perder-me pela pista de dança. O homem que agora sorria à esposa adorada, puxou-me para dançar e atreveu-se a perguntar se depois, um dia destes, podíamos “sair, ou assim...”. Respondi-lhe que “Não. Por quem me toma?” e felizmente na altura fui salva pelo começar de outra música que tinha prometido dançar com o D.W.
Como pôde ele insinuar-se daquela forma descarada e naquele momento estar ali como se nada se tivesse passado? É um hipócrita e repugna-me.