sábado, julho 12, 2003

Lu aos 18 anos

Espero que os meus pais se deitem e em silêncio visto-me, maquilho-me e calço-me. Pego na carteira e saio porta fora. Abençoada casa que de tão grande me permite sair sem ninguém notar. «Shiuu» Murmuro aos cães, já treinados por mim para não assinalarem a minha presença. Abro o portão devagarinho, receosa pelo seu ranger. É o único obstáculo. Desço a rua e espero. Passa um carro e eu escondo a cara. Finalmente vejo o carro do J.A..
- Quanto é que é o beijinho?
- Não seja parvo. Porque demorou tanto?
- Você é que chegou demasiado cedo.
Perdemo-nos pela noite. Às oito da manhã deixa-me à porta de casa. Fecho o portão que tinha deixado aberto com os normais cuidados. Entro em casa já a despir-me e escondo a roupa que cheira a tabaco. Desmaquilho-me enquanto mando uma mensagem ao J.A. a dizer que está tudo bem. Entro no duche. Liberto-me dos vestígios da noite com um gel de banho de activo cheiro a pêssego. O meu pai bate-me á porta. “Já acordada?”Saio do duche e preparo-me. Vou sonolenta para a missa, e no fim vou dar catequese aos meus queridos meninos do terceiro ano.
Almoço em casa da Bo. Adormeço no sofá e durmo toda a tarde, até que acordo ela a chamar-me.
- Bela Adormecida, hora de acordar! Acorda, vamos ao Porto! O Tomás ligou a convidar-nos para ir brincar para o Douro com motas de água. Acho que o amigo dele está interessado em ti, querida.