segunda-feira, junho 30, 2003

Delírios

- Oh, Meu Deus, mas porque é que ele não me responde ao mail? Olhe para mim. Eu não sou gira?
Olhas-me com aquele só teu jeito amuado.
- É querida. Muito gira. Ele tem mais que fazer. O banco, a vela... Sabe que a regata é daqui a pouco, ele tem que treinar. Não deve ser propriamente obcecado com a caixa de correio.»
Amuas.
- E a outra, como é? Tão boa como eu?
- Não, nem lhe prestei muita atenção.
Enches o copo.
- Que merda!
Esvazias o copo, pousa-lo e vens sentar-te ao meu lado no sofá e aninhas-te nos meus braços.
Reparo nos teus pés. Descalços, magros, de pele alva contrastante com o verniz de sangue. O cabelo que sobeja de cores entre o louro e o castanho está impregnado com um cheiro inebriante a maçã. «Tem o cabelo às riscas!», dissera-lhe eu quando ela me apareceu assim à frente.
Pego numa madeixa comprida e quase branca. Puxo-a suavemente enquanto observo a grande cruz preta, gótica, que pende meio escondida dentro do teu decote. Agarro a cruz sob o teu olhar atento. Olhas-me nos olhos e eu fixo-os nos lábios. Beijo-os ternamente enquanto restituo a cruz ao decote. Acaricio-o delicada e meigamente. Desaperto-lhe a blusa e percorro o seu ventre, apenas com as pontas das unhas, enquanto nos continuámos a beijar. Paro para encher o copo. A garrafa estava vazia. - Mas...- Não, ela não é mais gira do que tu.
Sorris-me.

terça-feira, junho 24, 2003

Como comer uma banana!

Gostaria de anunciar, com toda a pompa e circunstância, que este blog deixará de ser apenas um amontoado de histórias (mais indecente que dramáticas) para passar a servir o caro leitor com conselhos socialmente correctos e dicas úteis! O primeiro post didáctico vai chama-se:"como comer uma banana" e está ainda em construção.

Lu: “Agarra-se a banana com a mão esquerda e descasca-se até meio da banana com a mão direita. Segura-se firmemente com ambas as mãos e dá-se uma tricadela na ponta. Deve mastigar-se devagarinho e deixar a pasta esbranquiçada na língua durante algum tempo, para saborear...”
T.I. : “O quê? Mas isto é alguma porra de um teste de etiqueta?”. Pega numa banana, num prato, numa faca e num garfo. Senta-se desleixado. Descasca a banana e agarra nela com a mão para a pôr no prato. Corta-a (mutila-a…) com a faca e com o garfo come 2 a 3 pedaços de cada vez enchendo toda a boca. “Satisfeitas?” Pergunta ainda com a boca cheia.

Apresentação da Lu

“Que é que eu estou a fazer neste carro?! De quem é este carro?". Abri imediatamente a porta, precipitei o corpo para a frente, coloquei os pés no chão e acabei por me magoar numa espécie de garrafa plástica mutilada “que nojo! Estou numa lixeira…que parece uma praia!”
Voltei ao carro para procurar uns sapatos, mas como apenas encontrei umas sandálias desconfortáveis acabei por as atirar sobre o amontoado de roupas, lixo do McDonald e copos de gelado para de seguida colocar uns óculos escuros no rosto e sair em direcção ao mar, a Lu tinha que estar por perto…

Desci a duna aos gritos “Minha cabra…Oh cabra, onde é que tu estás?”. Não foi preciso procurar muito! Lá estava ela à beira mar, completamente desengonçada, com um trench coat no ombro e uma pochette na mão direita! Parecia uma porra de uma anedota, desfilava ainda com botas de cano alto nos pés... e vestido de noite completamente amarrotado... e ...bem... já tinha ido ao banho de mar!
“Bo!” chamou ela entusiasmada.
“Podias tirar essas botas!» disse-lhe...
“Bo! Que raio é que estamos a fazer em França?” perguntou embevecida
“Nós estamos em França?"
“Ya! Eu falei agora com uma miúda e ela só dizia madame, madame bom jour”
“Nós não estamos em França!" disse-lhe eu calmamente “Nós estamos no paraíso e temos o carro do PP, por isso vamos aproveitar…”
Ela sorriu, puxou-me o braço e voltou a dizer “Este mar de França é muito agradável, eu já fui ao banho e…”

Apresentação da Bo

“Olha, eu estou a ter problemas aqui na porta! Os execráveis não me querem deixar entrar…”
Quando o DW apareceu, olhou para mim, e gritou altamente histérico “O que é que te aconteceu Bô? Oh Meu Deus! Caíste ao rio? Como é que pensas desfilar assim? Olha para este cabelo… querida, vem comigo para não teres que passar pelos fotógrafos…”
“D.W. eu estou O.K.! Tive um problemazito com o carro…” disse-lhe enquanto o senti guiar-me para uma porta traseira.
“Mon Dieu cherry! Podias ter telefonado que eu ia-te aí buscar…Mas isso não explica o facto de estares completamente encharcada!”
“Não quero falar sobre isso!” respondi-lhe já sem pinta de paciência.

Sentei-me no bar, engoli dois martinis seguidos, tirei os malditos sapatos, entreguei-os ao barman, pedi o terceiro martini e fui descalça até aos provadores rosados (ou seriam esverdeados?). Nesse momento caíram três gajas feias em cima de mim, enfiaram-me um vestido justo, maquilharam-me e pentearam-me. Vinte minutos depois dispararam os flashes, fiquei cega (como sempre), pousei … saí da passerelle… e caí! Penso que adormeci de exaustão, ou talvez não, mas o certo é que na manhã seguinte acordei nesta horrenda cama de hospital. Vejo pelo menos que alguém me trouxe flores, de certeza que são da Lu.

terça-feira, junho 17, 2003

Take III

Tatyana levanta-se da sua cama. Veste uma camisa de noite semitransparente atafulhada de rendas barrocas, os cabelos soltos sobre os ombros e os pés descalços. Entra no quarto de seu marido, começa por lhe acariciar as costas, passa os dedos pela pele sobre o tronco, pelo pescoço...pelo cabelo…de súbito ele acorda, abraça-a...ela não se acanha, senta-se sobre a cinta e oscila o corpo em movimentos sensuais, como se se tratasse apenas d uma cadeira d balouço....Á medida que ele vai ficando cada vez mais excitado, ela vai-o prendando de beijos e festas carinhosas... Continuo amanhã.